Novas mídias na arte contemporânea é um panorama bastante rico sobre a produção artística recente e questões tecnológicas que alteraram tanto o nosso cotidiano. Michael Rush apresenta a história da arte a partir dos primeiros estudos do movimento na fotografia e seu impacto no trabalho de artistas como Marcel Duchamp. Das primeiras experiências em vídeo arte, instalações e happenings até arte interativa, em espaços reais e virtuais.
Foi o primeiro livro que li desde as últimas mudanças (e definições) do meu projeto. Em paralelo, textos do MediaArt.net, artigos sobre a obra de Borges e alguns escritos de Kant têm ocupado meus intervalos. Prometo falar sobre questões mais conceituais em breve, mas fica a dica.
23/05/2008
Leituras
01/05/2008
Novos caminhos?
Redefini meu projeto, inspirado em outras questões que trouxe durante a pesquisa, para celebrar esse recomeço, escrevi uma nova proposta de projeto. Segue abaixo:
A Biblioteca de Babel: uma experiência interativa no universo fantástico de Jorge Luis Borges
Minha vontade em desenvolver um projeto neste tema foi a possibilidade de junção de diferentes interesses que desenvolvi e/ou aperfeiçoei durante a faculdade de Desenho Industrial. Paralelamente aos estudos de design, a Literatura sempre esteve presente na minha vida. Entre os autores de quem mais gosto, o argentino Jorge Luis Borges e o conto "A Biblioteca de Babel", presente na compilação 'Ficções' merecem atenção especial.
Tendo este texto de Borges como ponto de partida, pretendo estudar e desenvolver uma experiência interativa com base nas construções matemáticas que o autor tanto utiliza para caracterizar a biblioteca.
Inserido no livro Ficciones (Ficções), de 1944. Este conto, essencialmente metafísico, fala de uma realidade em que o mundo é constituido por uma biblioteca infindável, abrigando uma infinidade de livros. O narrador, um dos muitos bibliotecários, supõe que os volumes da biblioteca contêm todas as possibilidades da realidade. Alguns não fazem o menor sentido, ou o fazem numa língua há muito desconhecida. Outros são meras repetições de uma mesma palavra. Busca-se incessantemente alguém que saiba decifrar as mensagens contidas nos misteriosos volumes, que seria o correspondente a um deus.
Entre as várias interpretações possíveis do conto de Jorge Luis Borges, uma dá conta que se trata de uma grande metáfora em que mundo e literatura se confundem. Ler um texto é tentar decifrá-lo, mas se considerarmos que o próprio mundo está impregnado de linguagem, a própria realidade pode ser considerada como uma grande biblioteca cheia de textos à espera de quem os decifre.
A idéia é traçar paralelos entre a Literatura de Borges e algumas questões que me são muito caras dentro do universo da Arte e do Design através de uma instalação. Dentro dela, o espectador terá a oportunidade de, por meio de experiências sensoriais, ajudar a construir uma nova "Biblioteca de Babel", dialogar e ter contato com este universo fantástico, por meio de uma linguagem primordialmente visual.
Por valorizar a expressão coletiva, a interpretação visual do resultado dessas colaborações e a construção do espaço. Abordarei questões projetuais como o design de interação, cenografia, design em movimento e linguagem visual.
Acredito que este projeto será uma oportunidade de reunir questões contemporâneas como criação colaborativa, arte eletrônica, design de interação, cenografia. Também será de grande valia por estabelecer um diálogo criativo com a obra de um dos maiores ficcionistas do século XX, especialmente com uma de suas obras mais conhecidas e discutidas, a Biblioteca de Babel.
Antes de percorrer os quatro anos da faculdade de Desenho Industrial, cursei outros dois na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (UFRJ) e realizei diversas atividades complementares, das quais destaco o Curso de Cenografia ministrado pelo cenógrafo Helio Eichbauer. Além disto, tenho um interesse pessoal por tecnologia e novas mídias, além de uma grande paixão pela obra de Jorge Luis Borges.
Acredito que este primeiro semestre deverá ser dedicado à pesquisa nos temas presentes no projeto: Literatura, Arte e Novas Mídias, Design de Interação e Tecnologia. Em um segundo momento, pretendo elaborar o projeto arquitetônico/cenográfico, a interface e os elementos visuais resultantes da colaboração coletiva, inspirados no universo fantástico/matemático/metafísico do autor argentino.
13/03/2008
Eis que surge
Depois de um hiato, acredito que agora este blog será cada vez mais atualizado. Abaixo, a transcrição da proposta preliminar de projeto.
Design e Tecnologia: Sistemas interativos
Pretendo analisar diversas experiências interativas e traçar um panorama das intersecções entre arte, design e tecnologia. Proponho uma análise crítica deste fenômeno e irei destacar tendências dentro deste universo, especialmente como as novas tecnologias alteram a maneira de se lidar com os objetos, a informação e produção de conteúdo. Mudanças essas que cada vez mais definem novos padrões e comportamentos.
Pretendo que este estudo seja uma contribuição para a discussão dentro do campo de atuação do designer, suas novas plataformas de comunicação e como estas estão transformando a maneira como e para quem elaboramos projetos de design.
Possuo alguma experiência em sistemas interativos para internet, porém pretendo basear minha pesquisa em entrevistas com diversos profissionais e estudiosos do assunto. Procuro somar contribuições de outras áreas do conhecimento, como as Ciências Sociais, Comunicação, Tecnologia da Informação etc.
As etapas para a conclusão do projeto são, a grosso modo, (1) uma pesquisa preliminar onde encontrarei um recorte onde irei investir meus estudos. (2) Um estudo e uma análise crítica dos projetos estudados. (3) Desenvolvimento (ou não) de algum experimento interativo. Caso a escolha seja por um projeto teórico, irei analisar algum exemplo bem sucedido de experiência interativa.
28/01/2008
Lamb of God: obra aberta
O arcade fire repete a estratégia, já falada aqui, com o novo clipe: Black Mirror pode ser mixado em tempo real, ligando e desligando os 6 canais da música. Exemplo mais interressante disso é o último disco da banda Metal-cabeça Lamb of God. Saiu uma edição especial com os canais separados de todas as canções. A versão, batizada de Deluxe Producer Edition, permite acesso aberto a todo o conteúdo. É esperar pra ver.
09/01/2008
Publicidade como alvo
Deu na Wired e em outros veículos na internet. Um artista que se intitula The Decapitator está alterando o conteúdo de anúncios publicitários pela cidade de Londres. O resultado, uma brincadeira com o produto original, tem relações estreitas com o graffitti e a pichação. Vandalismo e/ou apropriação de imagens publicitárias, editadas e reapresentadas em seu espaço original. O artista mantém um flickr com registros dessas ações.
09/12/2007
Shiftspace e o espaço público na web
O shiftspace é um plugin para firefox que permite a qualquer um alterar, destacar o conteúdo ou adicionar notas a qualquer página na internet. Em um extremo, pode-se mudar totalmente uma página, adicionando novas imagens ou alterando o código-fonte da mesma. A proposta do site é construir uma nova camada de navegação, baseada em intervenções de uma rede infinita de usuários.
Uma leitura interessante é o artigo sobre espaço público e a ausência deste conceito na internet.
O Nintendo Wii
Ainda vou falar muito do Wii no blog. O joystick revolucionário do videogame da Nintendo provocou uma enxurrada de hacks interessantes, já existem sites especializados e uma comunidade muito ativa discutindo e projetando novas utilidades para o gadget.
A empresa não pensou, objetivamente, nestas novas possibilidades do aparelho. Mas será muito estúpida se um dia resolver fazer algum tipo de campanha contra. O ideal seria a Nintendo lançar uma versão open source do videogame. Mas isso eu já acho difícil.
11/11/2007
Neon Bible: o Arcade Fire e o videoclipe interativo
Ainda pretendo estabelecer uma escala onde irei categorizar projetos pelo nível de interferência externa permitida, a grande questão em projetos interativos é como estabelecer limites sem tornar a experiência limitada ou tornar o objeto tão independente que a cada transformação, ele se afasta do seu propósito original.
Neste caso, um dos primeiros trabalhos que guardei na tag PPD_Conclusao do meu del.icio.us, o videoclipe de neon bible, faixa título do último (e ótimo) disco do arcade fire é uma sucessão de mini animações que combinadas produzem um resultado diferente a cada reprodução, tendo como o apontador do mouse a ponte entre o usuário e a mídia, podendo criar a partir de movimentos novas combinações.

Este projeto é altamente limitado, porém guarda em si um potencial futuro bastante interessante. Penso que em breve, TVs digitais possam vir (e talvez já até venham) com webcams que, por meio de uma interpretação do que capturam do entorno, possam calcular uma série de variáveis e, como resultado, construir um videoclipe novo, de acordo com os dados retirados da realidade de cada pessoa, naquele momento.
09/11/2007
Hipóteses
A minha hipotese de pesquisa é, a grosso modo, que hoje (mais do que nunca) existe uma tendencia em o usuário final não se contentar com um objeto que termina em si, mas sim algo que ele possa adaptar para funcionar para as suas necessidades. E aí que entra o problema, como o designer pode projetar prevendo esse nível de interação?
No mesmo caminho, existe uma tendência em popularizar o que eu tô chamando de neo-bricolagem, revistas como a makezine, trazem para o mainstream um comportamento hacker, último bastião nerd que ainda não tornou-se "cool". Ainda, porque cada vez os sistemas, aparelhos e mesmo roupas são totalmente adaptáveis, algo como uma customização em série.